Versando sobre o mundo e a política!
Quarta-feira, Março 31, 2004
PRECONCEITO, EDUCAÇÃO E GOLPE!!!
Domingo (28/03), abro o jornal, leio artigo de Daniel Piza, fico enojado, penso em mandar uma carta ao jornal, desisto (não vai ser publicada mesmo). Pensava que isso havia sido superado!
Há alguns dias a colunista Dora Kramer, do mesmo Estadão, dizia que não entendeu a frase onde Lula dizia que o fracasso de seu governo seria o fracasso da "classe trabalhadora". Disse a colunista que o presidente não deveria debitar na conta de todos os trabalhadores o seu próprio fracasso. Agora a colunista deve saber do que se trata.
Vejam o artigo de Piza (Caderno 2 - O Estado de São Paulo - Domingo, 28/03/2004):
A FALTA QUE A EDUCAÇÃO FAZ
"O primeiro exemplo da falta que a educação faz é o próprio presidente do Brasil. Lula voltou a dizer, num de seus incontáveis discursos, que "eles não acreditavam que um torneiro mecânico, sem instrução, pudesse governar o Brasil". Antes de mais nada, quem são "eles"?
Bush, FHC, Mario Amato, Regina Duarte? O que falta a Lula não é diploma, é estudo - e estudo exige esforço, humildade, concentração. Com um pouco mais de estudo, Lula, no mínimo, poderia abandonar a paranóia do "eles" e ser mais preciso e coerente em seus discursos. Pois, enquanto despeja sua retórica de provérbios banais e hipérboles sebastianistas, seu governo pateticamente bate cabeça várias vezes ao dia, entre factóides e grosserias. Com a educação em quinto plano.
No máximo, a instrução que Lula poderia ter adquirido nos 20 anos em que viveu da política sem exercer mais que um cargo público relevante faria dele um presidente muito melhor. Ainda que não exista diploma para presidentes, não há chefe político que possa cumprir parte razoável de suas promessas se não tiver um certo número de informações para comandar sua equipe. Tudo ficou ainda mais complicado quando Lula mudou seu discurso, a partir de 2002, para ganhar as eleições; sem os conceitos pseudoesquerdistas do passado, ele já não sabe o que pensa e não pensa o que diz.
Como montar, assim, um bom time de ministros e assessores, exercer liderança sobre eles e despachar com eficiência? O folclore político ganhou vários acréscimos recentes com as gafes cometidas por Lula e companhia, como garantir a um conselheiro da Anatel que ele viria a ser... conselheiro da Anatel. Se ele se desse ao trabalho de despachar com os ministros ou realmente ouvir os setores da sociedade, o anedotário seria ainda maior. Mas por que não o faz? Porque não tem informação e compreensão suficientes para travar um diálogo sobre, digamos, agricultura com Roberto Rodrigues sem causar mal-estar nos presentes, já que imagina, no íntimo, que a solução para o campo brasileiro seja assentar todas as famílias sem-terra para plantar jerimum.
Também não governa de fato porque se julga acima do bem e do mal - como um pequeno Napoleão, disse a historiadora Maria Silvia de Carvalho Franco - e, logo, deixa essas coisas práticas para o braço esquerdo José Dirceu e o braço direito Antonio Palocci, com seus assessores suspeitos e ciúmes mútuos. Neto de Getúlio e filhote de Jango, de seu populismo sindical, de seu peronismo à moda açucarada da casa, Lula continua vivendo de subir no trio elétrico, lançar palavras de ordem e semear o caos, sem noção da complexidade da economia e da sociedade em que vive. Simplesmente não pode enxergá-la.
Aqui entra o segundo exemplo da falta que a educação faz: o Big Brother da TV Globo. Naquelas Solanges e Cidas há a prova mais cabal, o Provão mais contundente, do péssimo estado do ensino brasileiro - uma gente que não sabe falar "brócolis", acha que a África é um país, confunde "masoquista" com "narcisista", diz "personal trem" e "ofurunco", não sabe quantos minutos tem uma meia hora... e ainda por cima é arrogante! Tal como Lula, que realmente acredita ser um homem do povo subvertendo uma história de 500 anos, se orgulha de saber muito pouco e não está interessada em aprender de verdade.
Essa pretensão nascida do despreparo, essa bazófia fundamentada em ignorância, é, até aqui, a marca mais lamentável de seu governo."
Terça-feira (30/03/2004), leio na Internet (UolNews, Tudo num minuto) artigo de Paulo Henrique Amorim ensinando lições de como se deve agir para derrubar um presidente.
O Senhor Piza e os golpistas já iniciaram o processo. Leiam:
LIÇÃO DE 64: A TÉCNICA DO GOLPE PARA DERRUBAR LULA (40 ANOS DEPOIS)
"Acredito que, na América Latina, todo presidente trabalhista é uma vítima em potencial de um golpe de Estado. Acredito que no Brasil sobrevivem instrumentos muito úteis a um golpe de Estado. Acredito também que esses instrumentos são testados no Brasil e na América Latina com freqüência. Não são nenhuma novidade.
Apesar do júbilo que percebi entre os que, ao relembrar '64, observaram que "isso não se repetirá", pois, entre muitos motivos, "as instituições democráticas estão mais fortes", peço licença para discordar.
Há várias maneiras de dar um golpe de Estado hoje no Brasil. Não imagino como um golpe de Estado possa acabar -se com um tiro no peito no Palácio do Catete ou com o incêndio do La Moneda. Mas, conheço várias maneiras de botar o golpe para andar.
Não pretendo, aqui, competir com Curzio Malaparte, que, no auge do fervor fascista, escreveu o manual "Técnica do Golpe de Estado". Pretendo, apenas, demonstrar que a técnica está ao alcance de todos.
Para tratar de um assunto que conheço melhor, vamos ver, primeiro, como se pode dar um golpe pela televisão.
Recomenda-se inicialmente aplicar no canto direito do vídeo, embaixo, a expressão "ao vivo". Em seguida, combinar imagens de baixo e de cima, feitas de helicóptero. E fazer com que os repórteres andem, quase corram, e narrem com dificuldade de respirar. Cria-se assim um ambiente de dramaticidade. De urgência. "Está para acontecer", "a história que se faz à sua frente, ao vivo". O espectador precisa ter a sensação de que também ele é capaz de dar o golpe.
Para que utilizar essa técnica? Para a cobrir a "baderna". Por exemplo, uma greve em serviço público. Um confronto entre grevistas e a polícia. A paralisação dos transportes, como ocorreu na queda de Allende. O fechamento do porto de Paranaguá, recentemente, teria sido um cenário quase perfeito. Com imagens de helicóptero, aquelas filas de caminhões intermináveis. Não podia ser melhor para um golpe.
Como se sabe, a quase-obra-prima do golpe da mídia foi em abril de 2002, quando as quatro redes de televisão da Venezuela usaram a melhor tecnologia disponível. Nos quatro dias antes do golpe, as quatro estações colocaram "talk-shows" no ar, ao vivo, com respeitáveis "comentaristas", freqüentemente inflamados, que desancavam o presidente eleito. Nos intervalos, comerciais "pagos" por importantes grupos ligados à industria do petróleo conclamavam a população a ir a uma passeata contra o presidente eleito: "Nenhum passo atrás"! Levante-se. Às ruas!" -era a chamada.
Até que houve a tragédia que impulsionou o golpe. Na passeata, no confronto de manifestantes contra e a favor do presidente eleito, apareceu um livre-atirador e 11 pessoas morreram. As quatro redes fizeram uma cobertura exaustiva, desse jeito, ao vivo, com narrações ofegantes, e responsabilizaram a polícia do presidente eleito.
(Um cadáver é um fermento poderoso para golpes. A história do Brasil registra a morte do Major Rubem Vaz, no crime da Rua Toneleros, e como contribuiu para o golpe contra Getúlio.)
Com "a baderna" nas ruas e a frenética cobertura da televisão, o presidente eleito saiu do Palácio, mas não renunciou. A oposição tomou o Palácio e deu-se o golpe. As emissoras de tevê censuraram qualquer notícia sobre o presidente eleito. O presidente da "Abert" venezuelana, a associação que reúne as redes de televisão, foi um dos signatários do decreto que fechou o Congresso Nacional.
O golpe da Venezuela, como se sabe, durou 48 horas. Mas demonstrou de forma inequívoca que a televisão pode fazer mais do criar as condições para um golpe. Ela, de fato, pode dar o golpe.
Uma questão de método: o que é uma "baderna"?
Depende de quem controla os meios de comunicação. O que, no Hemisfério Norte, se pode chamar de "reivindicação salarial", no Hemisfério Sul, a depender do interesse da rede de televisão, do número de pessoas na rua e da presença do helicóptero ou do moto-link, se pode chamar de "baderna".
Um instrumento importante para a televisão dar o golpe é a utilização das "pesquisas" de opinião pública.
(Para que não haja dúvidas, devo explicar, preliminarmente, que o UOL, onde trabalho, é controlado pela Folha de S.Paulo, que também controla o Datafolha. O Datafolha é o único instituto de pesquisa que não vende pesquisas a candidatos. E é nessa relação institutos-tevê-candidatos que, na minha opinião, se encerra o pecado capital da indústria de pesquisas no país.)
Primeiro, ao se preparar um golpe para depor o presidente eleito, é muito importante dar destaque às pesquisas de opinião publica. Falo, é claro, de pesquisas em que o presidente eleito fique mal. Dar na escalada do jornal da tevê. Fazer computer-graphics fortes. Poucas telas, para não confundir. Poucos elementos por tela, para ressaltar o mais importante. Usar cores primárias. Confirmar os dados da pesquisa com "comentaristas", de preferência os donos dos próprios institutos de pesquisas, para evitar dúvidas ou interpretações ambíguas.
O importante é fazer com que o resultado de cada pesquisa pareça o resultado de uma eleição. Para que a legitimidade do presidente eleito se submeta a vários "turnos": cada pesquisa é uma nova eleição.
A pesquisa na manchete da televisão é uma forma infalível de corroer a legitimidade de um presidente eleito. Cria a sensação de que a pesquisa contém um resultado inapelável, assim como deveria ser inapelável, por quatro anos, o resultado da eleição presidencial: "bom, se a popularidade dele está assim . não tem jeito . ele tem que cair fora."
É muito importante o golpista usar uma tecnologia que, até onde sei, foi usada com perfeição por um grande estadista, o presidente Richard Nixon dos Estados Unidos. O interessado -como era Nixon- tem que conhecer o resultado da pesquisa com antecedência, para criar fatos políticos que a pesquisa venha a confirmar. Ou preparar a defesa, caso o resultado da pesquisa venha a ser desfavorável aos organizadores do golpe.
Nixon condicionava a data de solenidades públicas e de eventos da Presidência à data da divulgação da pesquisa. Ele tinha na Casa Branca equipes para tratar de cada instituto de pesquisa: para cada Ibope, um grupo de trabalho. O objetivo era criar um ambiente tão favorável que a Casa Branca soubesse -e muitas vezes pudesse mudar- as perguntas que a pesquisa ia fazer no campo.
Essa é uma técnica tão eficaz que pode ser usada igualmente pelos organizadores do golpe. Não é monopólio de quem está no poder.
Também não é novidade. Vi com meus olhos, na suíte presidencial do Hotel Plaza, de Nova York, quando o então presidente Fernando Collor recebeu, de manhã, o resultado de um Ibope que o Jornal Nacional divulgaria à noite.
Quanto mais perto da eleição, essa ligação de institutos de pesquisa com redes de tevê se torna ainda mais relevante.
Na última eleição para presidente do Brasil, houve dois episódios que demonstram como essa associação pode ajudar um golpe de Estado.
"Desconstruída" a candidatura Roseana Sarney, era importante para o candidato José Serra "desconstruir" a candidatura Ciro Gomes, imediatamente após o início da campanha no horário gratuito da tevê. Serra precisava se aproximar, o mais rápido possível, do embate direto com Lula, quando, então, se comprovaria que Serra estava "mais preparado" para governar.
Ao fim da primeira semana da propaganda eleitoral gratuita, dois institutos de pesquisas -nenhum deles era o Datafolha- conseguiram mostrar números que "desconstruiram" a candidatura Ciro Gomes. Soube, na época, embora não pudesse confirmar -como não posso, até agora- que dois fortes empresários do setor financeiro (um deles também ligado à indústria de telefonia) fizeram uma vaquinha para financiar as pesquisas que levassem a esse resultado: "desconstruir" Ciro Gomes.
Ainda no primeiro turno, tenho sérias desconfianças de que, a certa altura, Anthony Garotinho passou ao segundo lugar, na frente de Serra.
Segundo o site americano www.voterfraud.org, uma das formas de fraudar uma eleição é precisamente manipular pesquisas de intenção de voto meses bem antes da eleição.
Para quem quer dar um golpe no presidente eleito, as pesquisas meses antes da eleição são um poderoso instrumento. Devidamente "trabalhadas", elas matam os candidatos indesejáveis e começam a plantar a semente da instabilidade: o inimigo está fraco.
A rigor, os institutos de pesquisa de opinião pública só precisam acertar uma pesquisa: a de boca de urna, no dia de eleição. Todas as outras são precárias. Ainda mais que a indústria da pesquisa de opinião pública no Brasil é tão transparente quanto era a indústria do bingo.
Um instrumento poderoso para derrubar um presidente da República eleito é fazer com que uma instituição financeira -de preferência americana- contrate uma pesquisa de opinião pública.
Aí, é a sopa no mel. Porque, se o presidente candidato à reeleição se sair mal na pesquisa, torna-se alvo de duas armas mortíferas: a perda de legitimidade e a subseqüente condenação dos mercados financeiros internacionais.
Isso aconteceu na última eleição, com efeitos dramáticos. O então presidente Fernando Henrique Cardoso e seu candidato José Serra foram para a televisão dizer que a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva significava "a argentinização" do Brasil. Essa impressão se confirmava em pesquisas contratadas por um dos maiores bancos americanos, o Bank of America. Quanto mais Lula subia nas pesquisas, mais o Brasil se aproximava do abismo. O banco americano Goldman Sachs, onde pontifica um respeitado economista brasileiro, Paulo Leme, criou o "dólar Lula": cada vez que Lula subia nas pesquisas, o dólar subia junto.
Não é à toa que às vésperas do segundo turno, o dólar chegou a R$ 3,78 e o risco-país a 1.813 pontos. Hoje, o dólar está perto dos R$ 2,90 e o risco, acima dos 500 pontos.
Como uma das vantagens de encomendar uma pesquisa é receber o resultado antes da divulgação, é possivel -como talvez já tenha acontecido no Brasil. A instituição financeira deixa vazar a informação mais útil e ganha montanhas de dinheiro na Bolsa e no mercado do dólar.
Outro fator importante nesse conjunto de instrumentos para derrubar um presidente eleito são os economistas dos bancos internacionais e as agências de risco: eles têm um poder incontrastável. Como uma brigada anônima, que se manifesta através dos noticiosos financeiros na Internet, eles decidem se os investidores do mundo inteiro devem ou não investir num país. A revista Carta Capital contou que, uma vez, em Nova York, o primeiro-ministro da Itália, Massimo Dalema, resolveu conhecer o economista de um banco que decidia se os investidores deviam ou não comprar títulos do governo italiano. Conheceu: o jovem não falava italiano nem conhecia a Itália.
Se as pesquisas na televisão já "demonstrarem" uma deterioração da legitimidade do presidente eleito, uma confirmação que venha do exterior, de preferência de Wall Street, pode ser muito útil a um golpe. Dá-se então o o ciclo da auto-alimentação: as pesquisas saem na tevê: "a legitimidade do presidente eleito está em baixa". Com isso, as agências de risco se assustam e o risco-país dispara. Aí, as tevês dão em manchete: "o risco-país disparou." E a legitimidade do presidente eleito piora ainda mais.
É o golpe do risco-país, uma atualização do que Malaparte chamou, prosaicamente, de "golpe de Estado".
Porém, a forma infalível de dar um golpe de Estado é roubar a eleição. Não me refiro à eleição de George Bush, à apuração na Flórida ou ao golpe da Suprema Corte, liderado pelo marechal-juiz Anthony Scalia.
Diz-se que o Brasil é um exemplo ao mundo: que a votação eletrônica brasileira é à prova de fraude. Em 1982, no Rio de Janeiro, vi uma eleição à prova de fraude ser manipulada, na digitação dos votos, por obra de uma associação do então SNI com o candidato do governo, Moreira Franco, e o apoio da Rede Globo e do jornal O Globo. Tudo para impedir a eleição de Leonel Brizola ao governo do Estado. Foi o chamado escândalo da Proconsult.
Depois do fiasco da eleição de 2000, até hoje a imprensa americana(e os democratas)tem sérias dúvidas sobre a lisura da próxima eleição presidencial na Flórida. Eu, de minha parte, acredito em tudo. A Proconsult pode ressuscitar. Quem assistiu a Matrix sabe que roubar uma eleição, na Flórida ou em Madureira, é uma questão de software.
Recentemente, o ex-presidente do México Miguel de la Madrid publicou um livro em que conta como roubou a eleição para dar a vitória a Carlos Salinas de Gortari. De la Madrid confirma o que sempre se imaginou: a apuração começou a revelar que o candidato da oposição Cuauhtémoc Cardenas venceria. O governo anunciou que os computadores tinham quebrado e a apuração recomeçaria do zero. Salinas se elegeu. E hoje vive refugiado na Irlanda.
Há uma forma branda, quase indolor de dar o golpe. Criadas as condições necessárias, com a aplicação das técnicas acima mencionadas, é possivel dar um golpe com a instituição do regime parlamentarista. Foi o que se fez com o presidente João Goulart. E pode perfeitamente ser feito ainda. É uma técnica também disponível e que deve estar na cabeça de muitas pessoas.
De pessoas que, por exemplo, tenham lido o discurso de posse do ex- ministro José Serra na presidência do PSDB. Ele falou três vezes em "parlamentarismo" e nem uma só vez em "segurança" ou "segurança pública".
O golpe parlamentarista, porém, exige que o presidente da Câmara seja Ranieri Mazilli, que, docemente constrangido aceite assumir a Presidência da República. E o presidente do Senado seja Auro de Moura Andrade, que considere o poder "vago", caso o presidente Lula vá comer churrasco na Granja do Torto.
Vejam que não falei em derrubar o presidente Lula com a ajuda do general Vernon Walters, nem dos militares subordinados ao general Mourão Filho.
Falo de instrumentos modernos para dar um golpe de Estado. São também instrumentos disponíveis, que estão na prateleira dos nossos tempos, e que a sociedade brasileira já usou e testou. Para que um golpe seja bem sucedido, basta combinar esses elementos na exata medida e na seqüência certa.
Porém, um golpe contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva só será bem sucedido, se, antes, for feito um trabalho catequético e a sociedade brasileira se convença de que o presidente não está "preparado".
Eleger-se com os votos da maioria dos brasileiros não tem importância, se as pessoas se convencerem de que ele não está "preparado". "Preparado" para quê? Não importa. Depois de o Brasil ser governado por Fernando Henrique Cardoso, um homem notoriamente "preparado", ter um presidente "despreparado" é motivo suficiente para se pensar em derrubá-lo.
Quem define o que é "preparado"? Tanto quanto definir "baderna", definir o que é ser "preparado" cabe a quem tiver o poder de definir.
Isso pode parecer um disparate. Mas não é. Veja-se a última leva de historiadores do governo João Goulart. Eleito duas vezes vice-presidente da República, Goulart era, porém, um "despreparado".
Imaginem -ponderam esses importantes historiadores- que João Goulart pretendeu fazer uma reforma agrária sem saber que reforma agrária fazer. Que reforma agrária Jango queria? A do Homestead Act dos Estados Unidos, na Guerra Civil; ou a do General MacArthur, no Japão, depois da Segunda Guerra?
Francamente, Jango não estava preparado para tratar disso.
Tinha mesmo que ser deposto."
Sem comentários!!!
postado por: NOOS 3/31/2004 10:33:53 AM
Terça-feira, Março 23, 2004
A MÁSCARA ESTÁ CAINDO!!!
Há algum tempo venho reclamando, não sozinho, da proteção que a imprensa paulista tem para com o time do São Paulo.
Exemplo de organização, melhor time, quem mais revela, melhor goleiro etc.
Tudo isso, aos poucos vai caindo por terra. Um time organizado não vende sua maior promessa por preço de banana. O melhor time está sempre perdendo nos momentos decisivos (talvez por não ser tudo isso que dizem). As últimas grandes revelações (fora essa que venderam por preço de banana) datam dos tempos de Cilinho (Denilson não conta, pois não joga nada!).
O Caso do goleiro Rogério Ceni é para ser analisada em separado. Por muito tempo, bom de marketing que ele só, a imprensa o coloca como o melhor goleiro do Brasil. Hoje isso já está superado, pois Marcos (Palmeiras) sem alarido foi ganhando seu espaço no campo. Porém, em todos os programas esportivos, em todas as análises de jornais e revistas "especializadas" o goleiro do São Paulo (bom de marketing, volto a repetir) consegue arrancar elogios dos incautos e "puxa-sacos" jornalista, que adoram as frases feitas e de efeitos, disparadas a todo momento por Ceni.
Entretanto, a máscara - novamente - começa a cai. Vejam a reprodução de um artigo de Marcos Augusto Gonçalves, da editoria de Opinião da Folha de São Paulo (folhaesporte, 23/03/2004):
"
O PRESEPEIRO DO MORUMBI
A imagem vai se tornando rotineira: Rogério Ceni, em vistoso uniforme, e depois de algumas tentativas de acertar um gol de falta, posta-se na intermediária são-paulina assumindo o papel de líbero. A essa altura o jogo já está invariavelmente perdido. Mas vale a encenação.
Apressadinho, pega a bola, olha para lá e para cá, faz que passa para ali, depois faz que passa para acolá, mas acaba mesmo chutando para frente. Beleza. Está "empurrando" o time, pensam os incautos. Na verdade, o efeito muitas vezes acaba sendo o contrário: retarda a articulação da equipe, produz mais nervosismo e mais desconcentração.
No domingo, na derrota do São Paulo para o São Caetano, a cena se repetiu. Com o leite já derramado, o presepeiro guardião da meta do Tricolor estava lá, oferecendo seu show de "garra" e "liderança" para uma torcida que gosta de chamá-lo de o "melhor goleiro do Brasil".
De fato, Rogério Ceni tem qualidades. Sua liderança no Morumbi, no entanto, é superdimensionada. E seus espetáculos de "ousadia" e "vontade de vencer" parecem mais destinados a livrar sua cara das cobranças após uma derrota do que a efetivamente colaborar para uma reação.
Obviamente Ceni não pode ser culpado por todos os males do Tricolor. Cabe à diretoria do clube administrar os egos e sinalizar sobre quem deve ou não servir de referência para o restante do elenco. E Ceni tem sido uma aposta inesgotável. Seu contrato foi recentemente renovado por mais quatro anos (ele está com 31) por cerca de R$ 190 mil por mês.
Enquanto isso, o São Paulo perdeu Ricardinho e Kaká. OK, Ricardinho não foi bem no Morumbi, mas é o tipo de jogador que faz falta à equipe, com claras deficiências na armação. Para não falar na tendência suicida de afunilar as jogadas. É incrível como um time que conta com Luis Fabiano não consegue articular jogadas de fundo para deixá-lo em melhores condições de finalizar.
Quanto a Kaká, até as catracas do Morumbi sabem que sua negociação foi porca. Mas agora não há mais nada a fazer.
Para os pobres dos tricolores paulistas, acompanhar o São Paulo está se transformando num verdadeiro suplício.
Ou pior: num Simplício!
postado por: NOOS 3/23/2004 12:26:13 PM
OLHA O NÍVEL NÍVEL I!!!
A SABESP, por volta das 10 horas da manhã, ou seja uma hora após a reclamação, já estava no local e consertou o vazamento. Agora falta somente a CONGÁS terminar seu serviço o mais rápido possível e tapar o buraco.
Portanto, o serviço da SABESP funcionou muito bem. É isso que esperamos do serviço público!
É isso!!!
postado por: NOOS 3/23/2004 12:07:13 PM
OLHA O NÍVEL!!!
Há algum tempo estamos ouvindo falar de economia de água, baixos níveis de nossas represas e racionamento. O problema é grave, apesar de não entendermos o porque deixam as represas chegarem a níveis tão baixos para propor medidas, que - via de regra - penalizam os bairros mais pobres.
Há até uma campanha - em jornais, televisão, rádio etc. - onde o mote é "OLHA O NÍVEL". A ilustração acima é da página da SABESP.
Pois bem, no último final de semana a CONGÁS foi até o bairro onde moro, abriu uma série de buracos e (que agora estão tapados por placas de aço, um dos buracos é sobre uma faixa de pedestres) se mandaram. Acontece que a equipe que lá esteve deve ter acertado a rede de água da rua, pois desde ontem há um vazamento de água em um dos buracos. Nada muito grande, porém se estamos em época de economia de água e há até prêmio para aqueles que economizam, além de nos lembrarem a todo o momento que temos que economizar, fica a pergunta: por que as empresas que trabalham para o governo não fazem o mesmo?
CONGÁS: "olha o nível!!"
Em tempo: Liguei para a SABESP e comuniquei o fato, fui atendido muito cordialmente por uma pessoa que se identificou por Eliana, às 9:08 da manhã de hoje (23/03). O número do protocolo de atendimento é 955140148. Vamos ver quanto tempo demoram em atender e reparar o estrago.
No caso da CONGÁS o protocolo de atendimento (ouvidoria - via internet) é número 20924925, também de hoje de manhã.
Estarei de olho e informo de preferência que fui prontamente atendido em próximo post. Caso isso não ocorra também informarei e não deixarei "os caras" em paz.
É isso.
postado por: NOOS 3/23/2004 08:41:10 AM
Quinta-feira, Março 18, 2004
ESSE É O CARA!!!
Há alguns dias o PSDB, carinhosamente chamado por mim de "os bicudinhos", tem candidato para a sucessão municipal em São Paulo. Trata-se do Secretário da Segurança Pública, o Sr. Saulo de Castro Abreu Filho. E não é que o cara é bom mesmo!!!
Não bastasse a polícia por ele comandada ter EXECUTADO, em um pedágio da Castelo Branco, inúmeros membros de uma quadrilha (não levemos em consideração que os caras já estavam dominados e desarmados; não consideremos que os policiais sob o seu comando tem uma pontaria "à lá Rambo", pois acertaram os tiros todos na nuca dos "marginais" - afinal deve ser porque são muito bem treinados!), agora o cara
acabou com os seqüestros relâmpago no Estado de São Paulo!
Isso mesmo, nossa competente polícia, comandada pelo guardião da moralidade (governador Alckmin) e capitaneada pelo "mago" Saulo, acabou com o seqüestro relâmpago. Vejam a matéria no
caderno Cidades do Estadão de hoje (caso você tenha senha para isso!), caso não tenha, leia ao final deste post.
Pode andar tranqüilo pelas ruas de São Paulo, não tenha medo de ser confundido com um "marginal", isso jamais aconteceu. Caso você seja negro, dentista e tenha carro do ano (não nessa ordem necessariamente, tampouco é necessário os três itens juntos) não precisa se apavorar, pois a nossa polícia não é racista!
É por isso que eu digo: temos salvação, os bicudinhos estão chegando, São Paulo será (já está!!!) mais segura, Saulo vem aí... ESSE É O CARA!!!
veja a matéria na íntegra:
"Seqüestro relâmpago some das estatísticas de SP
Secretaria pára de contar esses crimes, que se alastram para o interior do Estado
A polícia está lutando às cegas contra os seqüestros relâmpagos em São Paulo, um crime que se expandiu para cidades de médio e grande porte do interior. Desde setembro, quando foram contados 63 casos na capital, os investigadores não acompanham mais a evolução do delito na cidade. Isso porque a Coordenadoria de Análise e Planejamento da Secretaria da Segurança Pública, responsável pela estatística dos crimes, não conta esse delito em substituição ao Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic).
Até 2003, o Deic fazia essa estatística mensalmente. Agora, esse trabalho está limitado a "estudos" caso a caso. A pedido da secretaria, o diretor do Deic, delegado Godofredo Bittencourt, informou que esse procedimento foi adotado após a diminuição desse tipo de crime e com a criação do Infocrim - sistema informatizado de dados da criminalidade na Grande São Paulo. "É possível pesquisar no Infocrim as ações das quadrilhas numa região."
Mas, segundo o coronel José Vicente da Silva, que foi secretário nacional de Segurança Pública no governo Fernando Henrique, as estatísticas ajudariam a polícia a planejar o patrulhamento das ruas, evitando casos como o do advogado F.D.V.
"Primeiro, disseram que eram do PCC (Primeiro Comando da Capital). Um deles abriu o tambor do revólver e mostrou as balas, dizendo que não era brincadeira", contou o advogado, de 24 anos. Os ladrões mantiveram-no três horas como refém, depois de apanhá-lo num ponto de ônibus da Avenida Brigadeiro Luís Antônio. De ônibus, foram a dois caixas com a vítima e sacaram R$ 1 mil. Ainda telefonaram para a mãe do advogado e exigiram que ela depositasse mais R$ 2.500, também retirados. "Não ando mais com cartão do banco. Só o carrego para fazer uma compra." Dias depois do crime, ele deixou de pegar o metrô, porque julgou reconhecer um dos ladrões que o atacaram. "Foi terrível."
A última estatística do Deic mostrava que esse crime diminuíra 74,5% na cidade, se comparados os meses de setembro de 1999 (247 casos) e 2003 (63).
Assim, os cerca de 1.800 casos anuais caíram para quase 800. "A polícia, porém, nunca teve uma visão exata desse crime, pois os números do Deic eram incompletos. Apesar disso, eram melhores do que nada", disse José Vicente.
Segundo ele, um estudo feito pela Polícia Militar na zona oeste estimava a existência de 8 mil casos na capital em 1999 quando a polícia admitia menos de 2 mil. Ele calcula ainda que 50% desses crimes não sejam informados pelas vítimas à polícia, como ocorreu no caso do advogado F.D.V. "Esse crime já está presente até em cidades médias, com mais de 70 mil habitantes."
Foi numa cidade assim que foi seqüestrado o estudante Paulo Marcelo Costa, de 21 anos, filho do deputado federal Waldemar Costa Neto, presidente nacional do PL. Na sexta-feira, ele foi levado por bandidos que o dominaram em Mogi das Cruzes. Depois de tentar sacar dinheiro em caixas, os ladrões o soltaram. "Esse padrão criminoso se expande, porque não tem controle", disse o coronel José Vicente.
A importância do trabalho estatístico pode ser demonstrada pelo fato de os bancos terem usado dados do Deic para instituir o limite de saque das 22 às 6 horas e fechar caixas em locais afastados. O departamento sabia ainda que homens entre 45 e 50 anos, de carro, eram as principais vítimas desse crime, concentrado na zona oeste entre as 18 e 21 horas.
Foi em Perus, na zona oeste, que a polícia libertou a designer J.N.L., de 27 anos, após ela ter sido seqüestrada na porta de casa, na noite de domingo.
"Sem o trabalho estatístico, não há como monitorar e prevenir o crime", disse o coronel. "Só é possível se antecipar aos ladrões quando se tem um diagnóstico do delito."
Flagrante - Exemplo disso foi o trabalho concluído ontem pela delegada Nair de Castro Andrade, do 23.º DP, responsável por Perdizes. Ela descobriu, por meio da análise dos registros de sua delegacia, que um bando estava agindo no bairro, na Lapa e em Pinheiros. Verificando horários de atuação (por volta 6 horas e por volta das 22 horas), os locais e como as vítimas eram dominadas e libertadas, acharam seis vítimas.
Na segunda-feira, os policiais descobriram um Honda Civic roubado que o bando estacionara na Rua Aimberé. Por 48 horas ininterruptas, os investigadores vigiaram o veículo até que ontem de manhã três homens foram buscá-lo.
Quando os policiais tentaram prendê-los, os bandidos atiraram. Um conseguiu escapar. Outros dois foram presos. Segundo a delegada, Lucas Barbosa de Oliveira, de 20 anos, e Alexandre Silva, de 24, já haviam sido investigados por seqüestros relâmpagos. Eles foram presos em flagrante sob a acusação de tentar matar os policiais e pelo porte de uma pistola.
Trabalho semelhante foi desenvolvido pelo delegado Valter Abreu, do Deic, ao prender o comerciante José Guerreiro Perez, de 26 anos, e o contínuo Luciano Rocha Souza, de 23. Ambos foram acusados de 11 seqüestros relâmpagos após os policiais terem feito uma análise da forma como eles agiam.
Além de sacar da conta das vítimas, os bandidos extorquiam dinheiro delas para devolver seus carros. A dupla foi presa na Saúde, quando foi apanhar o dinheiro para a devolução de um Honda Civic.
Secretaria - A reportagem do Estado procurou a secretaria para saber se o órgão pretende incluir o seqüestro relâmpago, tipo de roubo qualificado em que a vítima é levada a sacar dinheiro em caixa eletrônico, entre os roubos controlados pelo sistema de dados da CAP da secretaria. Atualmente, a CAP faz isso com roubo de carga, a banco, a ônibus, de veículo, a residência, a pedestre e até de telefone celular, recentemente incluído na lista.
Com base no que é registrado em cada delegacia, o policial pode fazer esse levantamento em seu bairro, mas os dados estaduais e do interior dependem da CAP. Problema semelhante ocorre com os roubos em cruzamentos das ruas de São Paulo. O sistema informatizado de dados criminais é capaz de saber quais as vias públicas concentram o maior número de crimes e o horário e dia da semana que eles mais ocorrem. Mas o sistema não é capaz de pesquisar os cruzamentos mais perigosos." (MARCELO GODOY)
postado por: NOOS 3/18/2004 09:44:29 AM
LADRÃO QUE ROUBA LADRÃO...
Via
Cocadaboa
"É sempre bom ver grandes corporações se fudendo bonito. Dêem uma olhada nesse site: http://www.intelig.com
É melhor ainda quando trata-se de uma empresa que usa um sistema de tarifas de longa distância completamente incoerente, FEITO PARA ROUBAR o consumidor.
Descobri essa sacanagem com o domínio da Intelig porque estava registrando uma queixa na ANATEL. Uma ligação de longa distância que me custaria R$5,30 pela Telemar ou Embratel, custou R$39,99 pela Intelig. Fui checar como funciona a tabela de preços deles e descobri que trata-se de uma arapuca feita para pegar consumidores desinformados, que acham que, apesar da liberdade do mercado, os preços de serviços públicos devem obedecer uma certa coerência.
Agora é tarde. Provavelmente a Anatel não vai fazer porra nenhuma. Me fudi e perdi uma caixa de cerveja com a diferença, mas para vocês fica aqui o aviso: Não usem o 23!" Escrito por: Mr Manson - [17/03/04 - 22:48].
postado por: NOOS 3/18/2004 08:30:50 AM
Quarta-feira, Março 17, 2004
A INFORMAÇÃO VALIOSA ABAIXO DA SUPERFÍCIE
"Há uma parte da internet que as empresas não enxergam, onde marcas, reputações e até mercados estão sendo construídos ou desconstruídos sem o menor conhecimento de seus donos corporativos." Leia mais no
Web insider.
postado por: NOOS 3/17/2004 04:35:45 PM
FALHA NOSSA!!!
É um inferno ter que admitir que você errou. Em nosso caso não é assim, quando erramos assumimos. Assim, é com o coração aberto que dizemos: erramos e feio!!!
No post intitulado "INTERIOR DE SÃO PAULO: CORONELISMO, TORTURA E MORTE NA POLÍTICA!!!" há um erro imperdoável.
Ao copiarmos e juntarmos os textos do Mylton Severiano da revista CAROS AMIGOS, por engano, falha ou ato falho, colocamos que o articulista é da Carta Capital. Não é. Por isso, pedimos desculpas aos leitores (se é que eles existem), ao autor do texto e à revista CAROS AMIGOS pelo mico.
É isso!!!
postado por: NOOS 3/17/2004 02:21:14 PM
Sexta-feira, Março 12, 2004
MAS QUE DIABOS QUER DIZER SPAM?!?!?
O articulista Sérgio Rodrigues (Nomínimo) nos brinda com mais um inteligente texto sobre a origem das palavras.
Além de nos contar um pouco da história da "praga", a pergunta que fica no ar é:
"...e que diabo de palavra é spam?"
[Leia aqui o artigo todo].
postado por: NOOS 3/12/2004 03:49:04 PM
INTERIOR DE SÃO PAULO: CORONELISMO, TORTURA E MORTE NA POLÍTICA!!!
"Você pode enganar muitos por muito tempo, você pode enganar a todos por algum tempo, mas você não pode enganar a todos por todo o tempo" - Abraham Lincoln.
Barra Bonita é uma cidade do interior de São Paulo, região de Bauru, aproximadamente 320 Km distante de nossa capital. Tenho um laço muito forte com essa cidade, pois lá nasci e lá ainda mora minha família (pais, irmãos, tios, primos etc.). Tenho lá também inúmeros amigos. Foi lá que comecei a entender um pouco mais sobre o mundo, foi lá que iniciei minha militância política: fui um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores da cidade, nos idos de 86, 87, 88.
Por isso tudo ainda colaboro com os amigos que continuam a empreitada de levar o PT local a governar a cidade e mudar o destino dos moradores e afastar, definitivamente, da vida política da cidade aqueles que impingem métodos coronelistas (isso mesmo, coronelismo no "rico e progressista" interior de São Paulo) à política local, que oprimem e deixam a população na mais profunda ignorância há 121 anos.
O PT local é hoje capitaneado pelo amigo e vereador Marcelo Cavinatto, que durante o ano de 2003 e ainda hoje vive um drama pelo simples fato de querer uma cidade diferente.
Não poderia deixar de contar a história toda, para quiçá o mundo saiba de que maneira são feitas as coisas da política no interior do Brasil, e não estou dizendo dos rincões do Nordeste brasileiro, mas sim do - volto a repetir - "rico e progressista" interior paulistano.
É uma história movida a pressão, ameaça, morte, tortura e pessoas (vereadores) corruptas, levada a cabo pela polícia local, pelo prefeito José Carlos de Mello Teixeira (Nenê) e por aqueles que sempre se beneficiaram do achaque, do silêncio e do medo. Só não contavam que o mundo mudou, que o Brasil mudou e não dá mais para se esconder por detrás do medo e do silêncio.
Para não parecer que eu estou tomando partido pela minha amizade com o Marcelo e pelo vínculo com o PT, reproduzirei, na íntegra, artigos (são dois artigos e ainda haverá um terceiro) do colunista da revista Carta Capital, Mylton Severiano.
Nota - Hoje pela manhã falei com o Marcelo por telefone e ele me contou a novidade: a Juíza de Direito julgou o mérito e mandou arquivar uma Comissão de Investigação e Processante, proposta pelos vereadores que apóiam o Prefeito da cidade e o ajudam a achacar a população local. Definitivamente os caras são uns fora da lei. Ao contra ataque companheiro (s). Processo neles, cadeia pros corruptos e assassinos!
ENFERMARIA
por
Mylton Severiano
Visita à Enfermaria
Série Anacondas Municipais (edição nº. 83 - fevereiro/2004)
"Primeiro conhecer o que é teu para depois conhecer o que é dos outros - Locução que encerrava as reportagens de Primo Carbonari, cinejornalista brasileiro.
1 - Barra limpa
A história é tão real que parece ficção. O personagem principal está sentado ao meu lado: o colega de hospício Marcelo Cavinatto. Hospeda-se no Ribeirão em casa de amiga comum que conheceu na faculdade. Depõe Marcelo: "A história tem o hábito de se repetir."
Ora veja que, por exemplo, Tony Belloto e Arnaldo Antunes foram presos por delegado hoje capturado na Operação Anaconda. Acontece algo parecido com Marcelo.
Refresco na memória: o delegado federal José Augusto Bellini em 1985 prendeu os dois Titãs por "porte de heroína". Bem, cada um põe pra dentro do corpo o que quiser e ninguém tem nada a ver com isso. Mas, tudo bem, Bellini estava dentro da lei, embora iníqua. E neste momento está preso. Dentro da lei. Por coisas bem piores que portar heroína.
Anaconda é a sucuri, cobra de até 10 m (na vertical, prédio de 3 andares). Por que operação anaconda? Porque abocanha bicho até maior e não se apressa, vai se enrolando nele, tritura-lhe os ossos, só engole quando ele virou pasta.
A Operação Anaconda começa no governo FHC. Além de Bellini, pegou juiz, policiais federais, advogados, empresários, acusados de formar quadrilha que lida com compra e venda de sentenças, facilidades judiciais, liberação de carga apreendida, baseada em São Paulo e com filiais em Alagoas, Pará e Rio Grande do Sul. Quebrar a espinha dorsal do crime organizado é o lema dessa operação da Polícia Federal. (Por falar nisso, cadê os federais que mataram o garçom a pancadas lá no Rio?)
Marcelo, 40 anos, é vereador em Barra Bonita, centro-oeste paulista. Cidade aprazível na qual, por coincidência, este enfermeiro tem parentes por parte de mãe, nosso ramo italiano. Marcelo fez FGV (Fundação Getúlio Vargas, escola que forma administradores de empresas). Presidiu o Centro Acadêmico. Formado, montou com amigos o Blue Note, bar da rua São Gabriel, nos "jardins" paulistanos, freqüentado por músicos, artistas, intelectuais, nos anos 1990. Viveu nos EUA e Europa.
De volta à Barra Bonita natal, elegeu-se vereador em 2000; há um ano, casou pela segunda vez, com a professora de matemática e física Ana Claudia Fortunato. Do primeiro casamento, tem um filho de dez anos.
A descrição que Marcelo faz da cidade natal nos leva a pensar em neofeudalismo. O poder econômico gerado pela produção sucroalcooleira domina politicamente o município de 40 mil habitantes. Marcelo ousou contestar ações do poder político. Mexeu em vespeiro e chega a ter "dor de barriga" quando lhe "baixa um santo" que diz: "você está a perigo".
Próximo número: 2 - Barra Suja (espécie de Operação Anaconda municipal, em que se narrarão episódios pouco abonadores para o gênero humano).
Visita à Enfermaria
Série Anacondas Municipais (edição nº. 84 - março/2004)
"O aforismo, a sentença na qual pela primeira vez sou mestre entre os alemães, é uma forma de eternidade. Minha ambição é dizer em dez frases o que qualquer outro diz num livro." - Friedrich Nietzsche, filósofo alemão (1844-1900)
2 - Barra suja
Paramos no ponto em que o vereador Marcelo Cavinato, de Barra Bonita, interior paulista, em visita à Enfermaria, fazia "denúncias contra abuso de poder, perseguição política, tortura e morte praticados pela polícia de Barra Bonita e Jaú", denúncias que encaminhou aos órgãos competentes: Polícia, Ministério Público, Justiça, Ouvidoria da Polícia etc. Antes que continue a história, transcrevo trecho de emeio que Marcelo enviou: A luta está na temperatura máxima e estou sendo ameaçado de morte, não temo as ameaças, mas as autoridades têm que cumprir a lei punindo os abusos desta polícia corrupta e violenta.
A família Ometto, de tradicionais usineiros paulistas, possui ali a maior fábrica de açúcar do mundo, a Usina da Barra. Quase toda a "população economicamente ativa" trabalha para a usina, que tem até banco de financiamento para os funcionários, BarraCred.
O prefeito é José Carlos de Mello Teixeira, do PMDB. Tem maioria na Câmara de Vereadores.
Cabeça moderna, ambientalista, Marcelo questionou procedimentos como queimada dos canaviais (facilita a colheita, mas polui tudo com uma "fuligem medieval"), despejo do venenoso vinhoto nas águas do Tietê, extensão da monocultura até para mananciais de água. Propôs um Conselho Municipal do Meio Ambiente, coleta seletiva de lixo em escolas; leis de apoio ao turismo.
O poder político tolerou essas atividades. Quando Marcelo passou a "questionar a lisura, a honestidade, a transparência de certos atos da Prefeitura, aí o bicho pegou". Único vereador do PT, recebia denúncias, mas não conseguia fazer passar na Câmara um só pedido de informações ao prefeito.
"Nós somos pagos pelo povo para criar leis que facilitem a vida das pessoas e fiscalizar o Executivo", diz Marcelo.
Impedido de ir adiante pela maioria dos quinze vereadores, Marcelo procurou o Tribunal de Contas do Estado, em Bauru, e apresentou as denúncias - entre elas, "licitação fraudulenta para contratar a empresa que organizou a Feira de Artesanato e Turismo, superfaturamento de concreto para a construção do pavilhão de exposições, subvenções com dinheiro público para entidades presididas por pessoas de confiança do prefeito, verba para entidade esportiva sem autorização da Câmara".
"O desmando e falta de compromisso com a sociedade chega a tal ponto que, assim que a atual administração assumiu o hospital local, tiveram a espetacular idéia de fazer um megashow com o cantor Daniel, para arrecadar fundos. E o show deu um prejuízo de 40 mil reais ao já falido hospital."
Marcelo denunciou na Câmara e nos jornais. Pela narrativa dele, o poder local passou a tramar para destruí-lo.
"O líder do prefeito disse na tribuna que logo um peixe grande ia dançar. Ficou aquilo no ar. Só entendi quando, uma manhã de abril de 2003, tomava café com minha mulher, a polícia invadiu minha casa com um mandado de busca, despachado pela juíza a pedido do delegado. Queriam encontrar drogas."
Não acharam nem sequer "uma ponta", mas a fofoca se espalhou: Marcelo teria "envolvimento com o tráfico". O "escândalo" chegou à Câmara através de requerimento assinado por um pastor evangélico, José Carlos de França, "intimamente ligado ao prefeito". "Pedia a cassação do meu mandato, dizendo que eu havia atentado contra o decoro parlamentar por possíveis ligações com um dos envolvidos na venda de drogas proibidas da cidade."
A trama "começou a ficar clara" quando se soube que o investigador Cássio Roberto Seaca, responsável pelo envolvimento do nome de Marcelo no caso, era "justamente o presidente da Legião Mirim"; e sua mulher, Regina, presidente da Fundação Sítio Escola, "entidades subvencionadas pela Prefeitura" que, segundo Marcelo levantou, tinham recebido nos últimos doze meses meio milhão de reais dos cofres públicos.
"Passei à ofensiva, desafiando a polícia a provar a denúncia e apontando o fundo político da ação, com a conivência do delegado, Claudemir Ferracini."
A polícia transferiu para Jaú, sede da comarca, o moço Fabiano Carlos dos Santos, preso na mesma operação sob acusação de "tráfico". Ali, vinte dias depois, "foi impiedosamente torturado para assumir por escrito delitos que não cometeu e afirmar que uma vez chegou a guardar drogas na minha casa", conta Marcelo. Fabiano denunciou a tortura, negou que tivesse dito aquilo, não contava com a presença de seu advogado, Sílvio Teixeira, no "interrogatório"; exame de corpo de delito comprovou as torturas: choque elétrico, espancamento com taco de beisebol entre socos e pontapés que o lesaram física e mentalmente.
A seguir, 3 - Barra Pesada (a PM entra na história assassinando um garoto).
postado por: NOOS 3/12/2004 10:13:54 AM
Segunda-feira, Março 08, 2004
FIM DO SPAM OU NOVA FONTE DE RENDA?!?!
O fim?
Bill Gates
tem uma proposta na praça para combater o spam. É interessante ouvi-la: que o email passe a ser pago.
Não o email, o endereço, mas a mensagem em si. Como se fosse necessário gastar uns tostões parcos para o selo.
Não seria necessário gastar dinheiro para o envio. O pagamento poderia ser feito, digamos, com alguns segundos de processamento da máquina - para ajudar a analisar dados quaisquer de interesse humanitário.
No fim, segundo a idéia de Gates, para o usuário típico a diferença seria quase nenhuma. Mas para quem envia milhões de mensagens "spammers" a coisa seria dificultada um bocado.
Quem reclama da idéia, além de acusar sua inviabilidade, diz que acaba com a democratização permitida pelo email. Pode ser.
Via
Nomínimo.
postado por: NOOS 3/8/2004 12:10:11 PM
DIA INTERNACIONAL DA MULHER!!!
"...A supermulher passou a ser vista como uma exceção à regra, uma egoísta privilegiada que rompeu com o pacto de solidariedade com seus irmãos de sofrimento (...)."
Essa afirmação é da psicanalista francesa Elisabeth Badinter, no livro Fausse Route ("Desvio de Rota", ainda não traduzido para o Brasil). Tema tratado pela articulista Carla Rodrigues, do Nomínimo .
Como sempre me foi dito que nas datas dedicadas aos movimentos que defendem os excluídos, mais do que comemoração era necessário um momento de reflexão, resolvi postar esse link para que todos possam refletir juntos. [
leia aqui o artigo].
No mais, desejo sorte e felicidades a todas as mulheres do mundo, as quais personifico em três delas, muito especiais para mim: Ana, Lenina e Camila. Pena que não tenho foto digitalizada da Ana.
Camila
Lenina
postado por: NOOS 3/8/2004 09:44:23 AM
"WALDOGATE", CRIME ORGANIZADO, REDE, CONTROLE REMOTO...!!!
"O ´Waldogate´ está sendo controlado pelo crime organizado desde o início: o vídeo foi divulgado quando interessava divulgá-lo e seus desdobramentos só serão conhecidos quando a rede na qual envolveu-se Waldomiro Diniz julgar conveniente lançar outra bacia de lama no ventilador.(...)
"...O crime organizado não é figura de retórica. É organizado mesmo: tem recursos, conexões, opera em rede ¿ amplo sistema de vasos comunicantes entre o lícito e o ilícito, entre a delinqüência política e a delinqüência comum. O narcotráfico, hoje, trafica narcóticos mas também trafica armas, gente, fortunas, idéias e influência. O narcotráfico manipula partidos e derruba governos. E isto, aparentemente, não está preocupando o governo nem a imprensa."
[Leia mais sobre isso no
NovaE, em artigo de Alberto Dines]
postado por: NOOS 3/8/2004 08:49:21 AM
Sexta-feira, Março 05, 2004
ATENÇÃO: ESCRITORES, AUTORES E COMPOSITORES FRUSTRADOS!!!
"(...) Que o lago caia/ Como uma pedra / Como uma Pantera / Tudo se redime/ Todos se reparam/ O assassinato é pedido/ O seio não é umbigo/ A boazuda não é castigo/ Que o lago caia/ Amigo/ Amigo..."
Não, não foi o Humberto Gessinger que escreveu essa letra "cabeça". Fui eu, com a ajuda do gerador de textos do site
MUNDO PERFEITO.
É isso mesmo, agora você poderá escrever uma novela do Manoel Carlos, uma crítica literária ou até um texto do Jorge Amado e parar de se perguntar: Poxa! Por que não fui eu que escrevi isso?
Há, não se faça de rogado e tente ser um Tribalista. Também, essa até sem ajuda, né?
Vale a pena. Gargalhadas garantidas!!!
postado por: NOOS 3/5/2004 02:07:34 PM
Quarta-feira, Março 03, 2004
O MEDO COMO ARMA
"O Grito", de Edvard Munch
"O medo tem servido, ao longo da história, como uma estratégia de dominação das elites, que assim conseguem manter a rígida hierarquia social que afasta pobres e ricos, brancos e negros e impede transformações."
Essa é uma das constatações da socióloga Vera Malaguti Batista, no livro "O medo na cidade do Rio de Janeiro - dois tempos de uma história" (Editora Revan).
Em entrevista à Rets - revista da Rits (Rede de Informações para o Terceiro Setor) - Vera afirma ainda que (...)
"O pobre e o negro são sempre alguma coisa "fora do lugar". O errado, entre aspas, no sentido da naturalização da hierarquia social brasileira, é aquele menino ser um jovem dentista, porque todo negro morto é, também entre aspas, traficante."
Leia
aqui, na íntegra, a entrevista de Vera para Fausto Rego, com colaboração de Graciela Selaimen, para a Rets.
postado por: NOOS 3/3/2004 02:17:07 PM
Terça-feira, Março 02, 2004
JUCA KFOURI
Para ser honesto com meu interlocutor, pois na maioria das vezes escrevemos contra uma posição e a pessoa com o qual debatemos nem sabe disso, escrevi e-mail para o Sr. Kfouri dando conta daquilo que postei abaixo, assim estou dando chance ao debate. Eis sua resposta, na íntegra (via e-mail):
"Meu caro: viva a divergência!
Acho, apenas, que vc comparou situações bem diferentes: numa, que originou meu texto tão criticado por vc, tinha morrido gente num espetáculo com portões abertos. Noutra, houve apenas falta de educação.
Que nossa elite é mal-educada é óbvio, até porque, se não fosse, não teria produzido um país com tantos excluídos.
Que estes, no entanto, em grupos, são mais violentos, tbem parece óbvio, massa de manobra que, em regra, vota na direita, como a história política do Brasil comprova.
Seja como for, para ser honesto intelectualmente, você poderia ter feito menção a diversos textos meus nos quais me afasto da posição inicial -- e, repito, numa situação de emergência --, contra a elitização e o aumento do preço dos ingressos.
Finalmente, aceito a crítica à minha outra autocrítica, em relação ao caso Parmalat. Prefiro-a a deixar de ser transparente.
Abraços,
jk."
Ok, valeu pela resposta. Continuo divergindo, mas respeito aqueles que não se furtam ao debate!
postado por: NOOS 3/2/2004 04:04:09 PM
A TORCIDA SE COMPORTOU MAL?!?!
Eu me lembro que há alguns anos atrás, quando fui escrever meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) sobre as Torcidas Organizadas de Futebol, me deparei com um texto do Sr. Juca Kfouri onde ele dizia - com todas as letras - que os preços dos ingressos para as partidas de futebol deveriam ser muito caros, pois assim os vândalos, os bandidos, os mal educados, os intolerantes - que se escondiam por detrás das Torcidas Organizadas - não pudessem mais freqüentar aos estádios.
Recordo-me que fiquei boquiaberto com tamanho "reacionarismo", pois o incauto jornalista dizia que agindo assim, os dirigentes esportivos estariam, primeiro, nos livrando do "mal" e, segundo, criando uma platéia mais "sofisticada" e "educada". Tipo assim: os bem nascidos é que sabem se comportar.
Pois bem, os preços dos ingressos foram rigorosamente majorados. Vinte reais (R$ 20,00) para assistir um "espetáculo" de qualidade duvidosa, com banheiros sujos, sem seu lugar reservado, com comida de procedência duvidosa etc. etc. etc. Ou seja, já é o início daquilo que o Sr. Kfouri pediu há alguns anos.
O que aconteceu todos sabem: Rio de Janeiro, Flamengo e Fluminense, final da Taça Guanabara (1º. Turno do Campeonato Carioca), 70.000 pessoas no Maracanã, ingressos que variam de 5 a 10 reais. São Paulo, Palmeiras e Santos, o primeiro clássico do campeonato, o vice campeão brasileiro contra o campeão da segunda divisão do ano passado, ingressos em 20 reais, 15.000 pessoas no estádio. Creio que eram só os bem nascidos, como queria o Sr. Kfouri, que estavam no Morumbi.
Não é que hoje (02/03) me espanto novamente com o Sr. Kfouri. Em artigo para o jornal
O Lance, esse senhor, me sai com a seguinte título: Tênis não é futebol. Em seu texto ele critica a torcida brasileira que dispensou tratamento
deseducado com o adversário do Guga.
Perguntar não ofende, então - por favor - responda-me Sr. Kfouri: Havia lá alguma torcida organizada de futebol? Qual o preço dos ingressos para uma partida de tênis (final) na Costa do Sauípe (BA)? Não seria este o público que o Sr. sonhou para as partidas de futebol (educado, criado a pão-de-ló - aquele mesmo público do texto de anos atrás)? Tenha dó.
Também esperar o que de um articulista que confessa que para demonstrar que seu ponto de vista estava correto "fez de contas" que não enxergara um delito. Me explico: em nota (dois toques) há algumas semanas disse que a maioria dos jornalistas já sabia do envolvimento da Parmalat na operação mãos limpas na Itália; entretanto, como no Brasil a parceria dessa empresa apontava para o futuro... a modernização do futebol, essa maioria de jornalistas esportivos "não atentou" para esse fato.
E esse é tido como um dos mais respeitados jornalistas esportivos* desse país. Loco né?
* Categoria mais dispensável da sociedade mundial, não sabem de nada. Não entendem de esporte, de política, de ética... Nem de futebol!!!
postado por: NOOS 3/2/2004 08:16:09 AM
Segunda-feira, Março 01, 2004
A CRISE DA PROPINA DOS JOGOS DE AZAR!!!
Confesso que, perplexo que estava, afinal sou petista de carteirinha, não havia conseguido comentar, tampouco raciocinar sobre os últimos acontecimentos da "crise" que vem assolando o palácio do planalto.
É muito para a minha cabeça, mesmo sabendo que não há "virgens" em política ou na "política real", conceber que um partido político que sempre se gabou de seu "monopólio" da ética, diga-se de passagem muito pouco para um partido político, estar envolvido num caso como esse da propina dos "jogos de azar". Confesso mais uma vez que fiquei paralisado e não consegui formar uma opinião sobre o caso. Por isso nem uma linha, até agora, sobre o caso.
Hoje, lendo o Estadão, em artigo do professor Oliveiros Ferreira (foi meu professor na PUC/SP), começo a vislumbrar os porquês, somar A com B, entender o bastidores...
Em uma análise não só do fato em si, mas das entranhas do poder, da luta por quem comandará o processo em 2006, dos atores envolvidos, do início da sucessão. Ele nos mostra que ela (a secessão) não apenas já começou como também que não há apenas adversários externos, há - com certeza - um componente interno ao próprio partido (coisa que não é novidade, mas o escândalo não me deixou enxergar isso). Reproduzo o artigo na íntegra:
A QUEM INTERESSA A CRISE?
OLIVEIROS S. FERREIRA*
"Chamamos de crise o que agora vemos acontecer no País porque estamos diante de um sistema de equações do qual não se sabe de quantas equações é composto, nem quantas são as incógnitas. É por isso, por ser grande a probabilidade de não conseguirmos chegar a decifrar essas duas pequenas charadas - quantas equações e quantas incógnitas - que se fala tanto em crise. Estamos todos andando às apalpadelas, míopes numa noite escura, esforçando-nos por decifrar alguns dos mistérios que cercam todo esse caso.
Tentemos, então, equacionar esta crise de perspectiva diversa daquela da qual se têm visto as coisas.
Em primeiro lugar, não nos preocupemos com saber quem foi o autor das gravações em que o sr. Waldomiro Diniz aparece. É questão de somenos importância, que a Polícia Federal investiga porque precisa apresentar serviço. O alarido não se faz em torno disso, mas das ilações que se tiraram da revelação das gravações. Com o que se coloca a pergunta de praxe: a quem beneficia a divulgação de um suposto crime de concussão - o "1% para mim" - e das ligações do sr. Waldomiro com o chefe da Casa Civil, José Dirceu? Esta é a questão - o resto é apenas conseqüência.
Se nos detivermos por um momento na análise da denúncia - tendo em vista o qui bono?, insisto -, veremos que a denúncia é forte, se podemos dizer assim, porque cuidou de apresentar as ligações do sr. Waldomiro Diniz com o sr. José Dirceu. Donde podermos concluir, provisoriamente, que a denúncia visava não a figura de um cavaleiro de indústria, mas um político de grande projeção nacional. Tanto é assim que não se fala no dinheiro que teria sido pedido para as campanhas eleitorais das sras. Benedita da Silva e Rosinha Matheus. O silêncio em torno desse fato indicaria que pedir dinheiro para campanhas eleitorais é fato normal - se a fonte do donativo é lícita ou ilícita é outra questão sobre a qual a Justiça Eleitoral deveria pronunciar-se, se a tanto fosse chamada - e não foi. Com o que voltamos à pergunta inicial: a quem interessa a denúncia? Quem com ela se beneficia?
As primeiras reações do PT, especialmente do sr. José Genoino, foram nesta direção, a do beneficiário: o responsável por tudo é o sr. José Serra. Ante o que, deveríamos perguntar: que ganharia ele com isso? O PT logo percebeu que o PSDB, muito menos seu presidente, nada tinha a ganhar com a denúncia, a menos que quisesse criar uma crise do tamanho daquela que, anos atrás, conduziu ao impeachment do sr. Collor de Mello. A demissão do sr. José Dirceu, reclamada em prosa e verso por parte da oposição, não tinha e não tem sentido algum, e o PSDB sabe disso. Ah!, direis, abalaria o governo Lula. Mas seria necessário criar tamanho alarido se a popularidade do presidente e de seu governo vem caindo mês após mês? Os pró-homens do PSDB são inteligentes o suficiente para deixar que o rio da perda de popularidade siga seu curso natural. Se continuam batendo na tecla da renúncia é porque começaram a tocar a valsa e não podem parar no meio. Mas não lhes interessa.
A menos que queiram dizer que o governo não tem indicação alguma sobre o caráter dos que trabalham para ele. Isto é, que a Abin não serve para nada.
A quem interessa, pois, a denúncia e o alarido, que o PT insiste em alimentar, enquanto o governo finge que procura apagar a fogueira? O presidente Lula da Silva disse, há dias, que uma denúncia não produzirá uma crise porque as instituições são fortes. E são. Tão fortes que ninguém percebe que a crise que existe e para a qual ninguém chama atenção é uma crise de poder. A crise é de poder porque o que está em jogo, desde que se tornou pública a denúncia contra o sr. Waldomiro Diniz, é quem comandará o processo político de 2006. Controle esse que passa, evidentemente, pelas eleições municipais deste ano. Essa disputa não se dá no PSDB ou no PFL ou no PP. Dá-se no PT. Seu primeiro indício foi a rigidez com que se trataram os chamados radicais, que acabaram expulsos sem possibilidade de disputar eleições em 2004.
Há tempos, publiquei nestas colunas uma parábola sobre o julgamento do governo Lula da Silva, em que Maquiavel e Santo Inácio apareciam como acusadores. Um deles dizia que o "secretário-geral", comparado a Stalin, não era Dirceu, que controlava praticamente toda a máquina estatal, mas o sr. Luiz Inácio Lula da Silva, que tinha os cordões do governo nas mãos. Creio que Maquiavel - o meu, não o florentino real - diria que nada mudou e que é necessário estar atento para a surda luta que se trava dentro do partido para ver quem o controlará e quem será o candidato dele ao governo de São Paulo em 2006.
Evidentemente não será Lula. Mas deverá ser alguém que o auxilie de fato em sua reeleição e que não tenha veleidades revolucionárias, como o sr. José Dirceu deixou escapar ao assumir a chefia da Casa Civil, lá se vão muitos meses.
Mas há mais, isto é, há outras incógnitas que podem ajudar a montar outras equações. E, ao buscar encontrá-las, daremos de cara com Padre José, o famoso Père Joseph, a eminência parda de Richelieu. O ministro Mauricio Corrêa, no fim de seu mandato como presidente do Supremo Tribunal Federal, parece ter intuído que há alguma coisa mais por trás do empenho do ministro da Justiça, sr. Márcio Thomaz Bastos, em querer o controle externo da magistratura. Intuiu, mas não disse. Deveria ter alinhavado outras coisas de molde a permitir que a sempre invocada Sociedade Civil percebesse para onde o governo pode ir sem mudar a política econômica: a sugestão para a promoção de Apolônio de Carvalho a general do Exército; a demarcação contínua das terras indígenas em Rondônia; e, agora, a Medida Provisória sobre os bingos.
Na entrevista que deu ao Estado, o ministro da Justiça expressou-se de maneira diferente do que disse na televisão. Para o jornal, o ministro colocou a disjuntiva: "Ou estatiza ou fecha tudo." Falando à televisão, disse coisa diversa: o governo definiu sua posição, baixou a Medida Provisória, agora cabe ao Congresso decidir. O ministro sabe que a MP será emendada, que o Congresso enviará ao presidente, para sanção, um projeto de conversão com texto diferente daquele da MP, no qual não se colocará a disjuntiva, mas se procurará chegar a uma solução que, suponho, poderá satisfazer Deus e o diabo. E sabe que o presidente poderá não vetar o projeto, nem sancioná-lo - devendo o presidente do Congresso sancioná-lo e mandar publicar.
Assim, que temos? O Judiciário precisa de controle externo e o Congresso será, mais uma vez, humilhado se não aprovar a MP tal qual. O PT precisa compor-se sem fissuras ou divergências no que tange à política geral para que Lula possa reeleger-se - o que não será difícil dado, lembrando, creio, Oswaldo Aranha, o "deserto de homens e idéias" que cerca um punhado de bem-intencionados que querem a salvação da Pátria e da Política."
*
Oliveiros S. Ferreira é jornalista e professor.
E-mail: olisfer@uol.com.br.
Site: http://www.oliveiros.com.br
Se quiser ler direto no jornal (tem que ter senha e login)
clique aqui.
postado por: NOOS 3/1/2004 11:49:32 AM